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Amamentação e Saúde Mental: um diálogo necessário – Parte 1
O diálogo que tive com a Consultora em Amamentação, Hevylla Feitoza, bem que poderia ser transcrito como um texto corrido, pois muito de nossas falas se complementaram, mas resolvi transcrever como um diálogo para facilitar a leitura e, de certa forma, pontuar o que há da fala de cada um.
Peço desculpas pelo atraso, mas segue a primeira parte de nossa conversa.
(Em negrito, temos minhas falas, e em itálico, as falas da Hévylla)
Hévylla, afinal, o que faz uma consultora em amamentação? Ao que me parece, é uma profissão bem moderna. Nunca tinha ouvido falar até lhe conhecer…
Bom, meu trabalho consiste em apoiar e incentivar a mãe no processo de amamentação. Com meu conhecimento de enfermeira e consultora, ajudo as mães que me procuram a ter um suporte no ato de amamentar. 
Ensino sobre a pega correta, explico a importância da amamentação exclusiva, mostro a mulher que ela tem o poder de amamentar o seu filho, encorajando-a e empoderando-a a exercer este ato tão importante. Creio que eu sirvo como uma ajuda neste momento mais importante e delicado de sua vida.
Realizo um atendimento personalizado, respeitando a individualidade e a necessidade de cada família com foco na evolução do aleitamento materno e na solução de problemas que possam aparecer nesta fase.
Usualmente, embora se tenha a imagem idealizada de um ato de amor, há muitos relatos de mulheres que sofrem imensamente neste período. Seja reclamando de dores nos seios, sangramentos, mordidas do bebê, baixa produção de leite e os mais variados incômodos. Apesar de a amamentação ser algo que nos acompanha desde os primórdios enquanto espécie, ainda é algo problemático para várias mulheres. Quais são as causas? Por que amamentar é tão desconfortável?
Amamentar não é um ato desconfortável, pelo menos não deveria ser. Amamentar é um ato de amor e de extremo relaxamento para a mãe e para o bebê. Quando se dá de mamar, o hormõnio ocitocina, conhecido como o hormônio do amor, é liberado em altos níveis. E isso promove um intenso relaxamento para a mãe e para o bebê. Para você ter uma ideia, o prazer envolvido neste ato se compara ao de um orgasmo!
Interessante! Há pesquisas, no campo da sexualidade, que tentam usar a ocitocina nasal para facilitar o relaxamento de mulheres que apresentam dores no ato sexual ou algum tipo de disfunção sexual durante o ato sexual. Então se há tanto prazer envolvido, por que existem tantas mulheres que sofrem neste período tão importante para a mãe e para o bebê?
Temos as mais variadas causas. É claro que uma mulher nervosa, estressada e ansiosa, possivelmente terá problemas na liberação da ocitocina, o que irá prejudicar a amamentação. Um outro fator que traz forte e negativo impacto é a falta de apoio familiar ou até mesmo o desconhecimento daquela família. Há muitos relatos que dizem “minha avó não conseguiu amamentar, minha mãe não conseguiu amamentar, isso é uma característica de nossa família, então você também não vai conseguir amamentar…”
Em psicologia, chamamos isto de mito familiar, que são essas histórias que são passadas de geração em geração e que trazem uma verdade sobre a família, além de leis, mitos…
Exato! E este mito familiar acaba fazendo grande pressão sobre a mãe. Há quem fale que o leite produzido pelas mães da família é fraco, que não suprem as necessidades do bebê, que irão matar os “netos, sobrinhos, afilhados”, de fome. Por mais que a mãe tente, esta pressão feita pelos familiares gera muito estresse e acaba atrapalhando todo o processo. Em 80% dos casos, problemas de amamentação são casos de mães que não tem apoio familiar, ou que as famílias querem introduzir leite industrializado, água, chás, para complementar a nutrição do bebê e isto não é necessário. Eu sempre enfatizo: até SEIS meses de idade, a alimentação do bebê deverá ser EXCLUSIVA de leite materno. Sem água, sem leites industrializados, sem chás. O bebê não irá ter sede e nem fome. Tudo o que ele precisa esta ali: em sua mãe.
Esta forma me lembra bem a constituição psíquica dos bebês, que, inicialmente, não têm sequer noção das dimensões do seu corpo, ou do que é seu corpo e o corpo da mãe, ou das sensações que sente. Será a mãe, neste gesto de amor e de investimento afetivo no bebê que será essencial para todo o seu desenvolvimento psíquico e, embora possa parecer que não existe ligação alguma, estes primeiros momentos, estes primeiros contatos entre os dois, terão fundamental importância para a saúde psíquica do bebê por toda a sua vida. A demanda que inicialmente é por nutrição, por saciar a fome do bebê, acaba se tornando uma demanda também por afeto, carinho, contato, afagos, pela voz da mãe e isto pode ser um “fator protetivo” para inúmeros adoecimentos em saúde mental no decorrer de toda a vida, não somente na infância, mas na vida adulta também…
Além destes fatores protetivos psíquicos, o ato de amamentar traz inúmeros benefícios para a mãe e para o bebê. Amamentar funciona como um verdadeiro anticoncepcional (para as mães que amamentam exclusivamente, sem uso de água, chás e leites industrializados): quem dá de mamar não engravida, tem maior facilidade de voltar ao seu corpo de antes da gravidez, o que tem implicações na autoestima da mulher, os sangramentos diminuem. Os bebês têm melhor saúde, melhor defesa contra doenças, há uma pesquisa que indica até que bebês que mamam mais têm maior inteligência, além da desenvoltura da musculatura da face e tantos outros benefícios. Então é muito importante que a amamentação seja incentivada.
“E na mama! Não em mamadeiras e nem em chuquinhas. Uma coisa que a gente ABOMINA são mamadeiras, chuquinhas e bicos de silicone!”
Esta conversa super interessante continua no próximo post do site! Não perca!

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