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Amamentação e Saúde Mental: um diálogo necessário – Parte 2
Por que essa ênfase em abominar mamadeiras, chuquinhas e bicos de silicone?
A criança que mama, ela não pega somente o bico do peito, mas a auréola toda, e quando são oferecidos água e chá na mamadeira, a criança já passará a ter dificuldade de voltar para o peito. O mesmo se aplica ao bico de silicone.
Nem mesmo durante a noite, para o bebê dormir?
De jeito nenhum. Enquanto estiver na amamentação exclusiva, ou seja, até os 6 meses de idade, é totalmente contraindicado. São recomendações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde que sempre repasso e enfatizo para as mães.
E sobre a quantidade de leite: há crianças que mamam demais ou que têm menos necessidade de leite?
O ideal é que a criança mame demais. Aliás, o ideal é que a criança mame na hora que ela quiser. Isso é o que chamamos de livre demanda. Não é a mãe que irá controlar o horário. Existe até um termo que chamamos “lua de leite”, comparando à “lua de mel”, em que os casais não querem saber de ninguém incomodando, visitas chatas ou algo que atrapalhe a relação dos dois. Na “lua de leite”, se o bebê está mamando, esquece o horário, esquece visitas, esquece todas as influências externas. É um momento de dedicação exclusiva ao bebê. No primeiro momento, quem comanda o horário é o bebê. Não existe a informação distorcida de que mamou demais ou que mamou pouco. É a criança que saberá o conteúdo satisfatório da mamada e o tempo que durará. Isso vale até para orientar os pais: existem pais que não entendem esta dedicação exclusiva ao bebê.
A figura paterna é importantíssima para a constituição psíquica das crianças. Em determinado momento ele deverá fazer um corte nesta relação mãe-bebê, que será importantíssimo para o desenvolvimento da criança em todas as fases de sua vida. E quanto a vida sexual do casal: como fica?
Atrapalha um pouco porque compromete a lubrificação vaginal da mulher. Além disto, é um momento tão da mãe e do bebê que as mães nem lembram de sexo. Muitas das vezes, sequer têm vontade. A cabeça fica tão voltada para a criança que as mães esquecem todo o resto.
A sua majestade o bebê?
A sua majestade o bebê! Então além da mãe, o pai também deverá se preparar para este momento, que também é de mudanças na rotina do casal e da família.
O seio, neste contexto, assume duas posições até bem divergentes: a erótica, voltada para aquele pai que deseja aquela mãe e cujos seios fazem parte da vida sexual do casal, e a que é tida, muitas vezes, como sagrada: o seio como fonte de amor e de nutrição, de contato direto com a criança, símbolo da maternidade.
Sim, o ato de mamar é uma das coisas mais lindas. Tanto que quando a mãe amamenta a criança em público, apesar de cobrir, acontece de aparecer o seio, e as pessoas não vêem isto como algo erótico, vêem como uma fonte de alimentação para a criança.
Mas existe um movimento que visa a proibir a amamentação em público, em um claro desejo de repressão desta “sexualidade”. Há até projetos de lei sendo discutidos.
Sim, nos EUA, é proibido amamentar em público. Aqui, no Brasil, ainda não tenho conhecimento de nenhuma lei que proíba.
“E isto é bem contraditório, concorda? Há um intenso movimento de erotização de toda a vida e de estímulo quase irrestrito da sexualidade, que atinge desde as crianças até as idades mais avançadas, aplicativos voltados e que incentivam a sexualidade, independente da orientação sexual, programas de televisão que exibem corpos nus ou quase nus, diariamente, para milhões de telespectadores, mas há quem se incomode com um ato que é constituinte da vida de todas as pessoas, um ato instintivo.”
Continuamos esta “deliciosa” conversa no próximo post. Não perca!

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